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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Não deixe que seu amor pelo vinho faça de você um enochato


Se você já leu este blog algumas vezes, imagino que não seja mais leigo no assunto. Pelo menos, esse é o objetivo principal destas páginas. Sendo assim, está na hora de dizer uma coisa importante: você corre o risco de se tornar um enochato. Calma! Todos os enófilos passam por isso. A cultura do vinho é fascinante, e ao primeiro contato com ela queremos logo compartilhar com a família, os amigos ou os conhecidos tudo que aprendemos. Esse é o problema. Nem sempre as pessoas estão ligadas em sua frequência. Portanto, é preciso tomar uma vacina preventiva.


Vamos lá:


Diante dos amigos, evite ficar descrevendo o vinho como se estivesse numa degstação técnica: "Reflexos violáceos, aromas complexos, taninos educados, retrogosto persistente..." Seu interlocutor vai sonhar com uma cerveja gelada diante de tão rico comentário.


Não critique o vinho oferecido por um amigo, mesmo que você o deteste. Guarde com você comentários como "falta corpo", "pobre em aroma", alcoólico demais". Seja discreto e deixe o vinho descansando eternamente no copo.


Em um restaurante, no serviço de vinho, prove-o rapidamente. Não é necessário ficar meia hora agitando e cheirando o copo. Esse é um dos sintomas clássicos do enochato.


Evite entrar em discussões inflamadas sobre o melhor vinho, a safra inesquecível, a uva mais importante. O melhor vinho é aquele que mais lhe agrada, essa é a grande verdade.


Petróleo, raposa molhada, carne de caça, pêlo queimado, chão de folhas úmidas no bosque... Assim são descritos os aromas de alguns vinhos especiais. Especiais, certo? Não aqueles disponíveis na maioria das adegas particulares. Portanto, esqueça essas expressões.


Lembre-se de que existem ocasiões certas para você exibir seus conhecimentos sobre vinhos. Restaurantes, reuniões com os amigos, jantares informais são ocasiões descontraídas, de lazer. Nada de ficar discursando sobre as qualidades da uva X, da safra Y, do produtor Z.


Por fim, sempre que necessário, repita esta frase como se fosse uma oração: "Só existem aprendizes de vinho; só os humildes aprendem sobre vinhos".





Um comentário:

Guilherme Lopes Mair disse...

Caríssimos,

Belo texto!!!

A pura verdade!!!

Saudações,

Guilherme Lopes Mair
www.umpaposobrevinhos.com.br