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Espumantes


BORBULHAS OS ESTILOS ESCONDIDOS EM PALAVRAS MISTERIOSAS


Champagne, Prosecco, espumante, brut, doce, suave, demi-sec... Essas palavras, que a princípio parecem ser apenas nomes, escodem - ou revelam - valores e sabores importantes. Geralmente esses termos estão relacionados à região de produção, ao tipo de uva ou ao grau de açúcar da bebida. Mas que informações úteis essas nomenclaturas nos trazem?

Tomemos o exemplo de Champagne: o nome da bebida é o da região demarcada. Isso quer dizer que, para tê-lo no rótulo, todas as uvas usadas na produção do célebre espumantes devem ser originárias dali. Mas não é só isso: as uvas em questão só podem ser das três variedades autorizadas: Pinot Noir, Chardonnay e Pinot Meunier. E mais: o vinho deve ser produzido pelo complexo método Champenoise aquele cuja espuma vem da segunda fermentação na própria garrafa. Todos esses fatores imprimem ao vinho as características típicas de Champagne, como os aromas minerais - que vêm do solo específico da região - e os de pão tostado e brioche, que surgem do contato com as leveduras. Os espumantes brasileiros, quando são produzidos pelo método de Champagne, como não podem usar essa denominação, costumam levar no rótulo as expressões "método tradicional" ou "clássico".

Se lemos Prosecco no rótulo, o primeiro fator a se considerar é que esse termo é o nome da uva, originária do Vêneto, na Itália. E o método de produção normalmente utilizado para a sua produção - conhecido como Charmat - é o da segunda fermentação em grandes tanques e não na própria garrafa. Os grandes Proseccos têm tons verde-claros e aromas de frutas muito frescas e flores brancas, que são privilegiados pelo método Charmat. Esqueçam o conceito de espumante barato "de evento". O Prosecco é um vinho respeitável quando vindo das mãos de produtores sérios. O problema é que muitos vinhos de pouca qualidade foram produzidos com essa uva e seu nome estava, é claro, impresso nos rótulos.

O termo Cava indica um espumante produzido tmbém pelo método Chmpenoise, mas na Espanha - a palavra "cava", em espanhol, significa adega subterrânea. O coração da produção desse espumante é a Catalunha, de onde vêm 85% da produção, mas hoje são 160 as localidades produtoras, espalhadas por todo o país. A utilização das uvas locais Macabeo, Parellada e Xarel-lo e o clima mais quente conferem ao Cava sabor e aromas particulares. É claro que o resultado final depende, mais uma vez, de cada produtor, mas o estilo é geralmente menos fresco, menos ácido, mais maduro e leve. E é essencial que seja tomado muito jovem. A tendência para o futuro é a busca de variedades tintas - Monastrell, Garnacha, Teprat - para adicionar mais corpo, volume e capacidade de envelhecimento.


Mais palavrinhas mágicas


Para entender outras palavras comumente encontradas em rótulos, seguem algumas dicas que valem para espumantes de todas as regiões:


Brut Nature: até seis gramas de açúcar por litro, ou seja, muito pouco. São os mais secos.

Brut: até 15 gramas de açúcar por litro. É seco, mas tem um certo volume, uma textura maior, dada pela presença do açúcar.

Extra-dry: de 12g a 20g de açúcar por litro. Sentimos um pouco do açúcar, mas essa quantidade não é suficiente para chamá-lo de doce.

Sec: por mais que engane, a palavra indica um vinho já com um teor de 17g a 35g de açúcar, ou seja, uma do´çura bem perceptível.

Demi-sec: chega a ter 55 g de açúcar por litro e é um espumante doce. Acima disso, os "Doux"(ou doces) já são praticamente considerados vinhos de sobremesa.

Com essas ferramentas, você pode escolher aquele que gosta mais.



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