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"Fecho os Olhos para te ver"

No terceiro encontro de nossos confrades, várias safras de um único: Vega-Sicilia, o mito Menos idólatra e mais inoclasta, não sou um tipo que adora incondicionalmente gênios. "Estou farto de semideuses", disse o poeta Pessoa, e num outro verso ainda completou: "O gênio é uma grande besteira". Também em relação aos vinhos aplico essa postura. Não me ajoelho diante de uma garrafa de Romanée Conti se o vinho não estiver realmente sublime. Há alguns anos, trabalhando como sommelier, costuma dizer aos meus clientes que não havia diferença qualitativa entre o Clos Mogador, tinto proveniente da região do Priorato (Espanha), do qual eu não me recordo muito bem a safra, e o Château Petrus da safra de 87, dois vinhos contidos na carta. Agora, se não havia a qualitativa, por que então o Bordeaux de 87 poderia custar oito vezes o que custava o excepicional espanhol? Simplesmente porque o Petrus tornou-se um mito. Um dos maiores mitos do mundo do vinho é o Vega-Sicilia, o mais

Vinho no Currículo

Para milhares de pessoas, trabalhar com vinho significa unir responsabilidade a uma fonte prazerosa de renda, as profissões são diversas, e as oportunidades, cada vez maiores O crescimento da celebrada demanda do consumidor brasileiro por melhores vinhos, por mais informações e cultura, reflete no aumento da necessária oferta de mão-de-obra qualificada. E bem diversificada. As profissões ligadas diretamente ao setor atraem muitas pessoas, não apenas pelo fascínio de trabalhar com algo que admiram mas também pelos salários pagos a bons profissionais. A expansão do número de vinícolas no país e de novas regiões produtoras movimenta um verdadeiro batalhão de profissionais do vinho, tanto na produção (vinhateiros, enólogos e agricultores) como na indústria de insumos (fornecimento de garrafas, caixas e maquinários para vinícola) e no comércio (lojista, distribuidores e importadores). Há também a cadeia de acessórios que abrange desde as especiais adegas climatizadas até pequenos saca-rolha

Velho, velho mundo

(e seus novos vinhos) Vinho e religião sempre estiveram ligados. Em Israel, a conexão entre os dois é ainda mais forte Israel, terra de guerras, invasões, martírios e mártires. Terra de povos, religiões, credos e crenças. Terra de ninguém. Terra de todos. Terra de vinhos. Como nos relata a Bíblia e como acontece até os dias de hoje, o vinho está diretamente ligado a eventos religiosos - sejam celebrações, festas, rituais, banquetes ou ceias. Sua afinidade com religiões vem de milênios e, por consequência, a bebida tem longa e forte ligação com a região. Mas, mesmo desconsiderando a época bíblica, a história do vinho em Israel vem de muito tempo, desde antes da criação do Estado. Foi no ano de 1882 que o barão Edmond de Rothschild (proprietário do Château Latife-Rothschild ) fundou que hoje é a maior e mais conhecida vinícola israelense, a Carmel, que, durante muito tempo, dominou a produção de vinhos daquele país. Terra prometida, vinhos promissores Segundo a religião judaica e, princi

Interessantes

Duas matérias interessantes retiradas da revista Divino (Ano 1 edição nº3) ADEUS ao MITO Apesar de controverso, o enólogo Didier Dagueneau deixa órfão amantes do vinho, entre amigos e até desafetos Ele era competitivo, polêmico e provocador, mas também um dos melhores do mundo em sua arte. Em setembro, a queda de um pequeno avião, na região de Cognac, interrompeu a carreira de sucesso do enólogo Didier Dagueneau, aos 52 anos. E levou embora o famoso produtor de Pouilly-Fumé e Sauvignon Blanc, que costumava cobrar preços além dos padrões da região do Vale do Loire, na França, e não poupava de suas críticas os produtores vizinhos. Em obituário feito pelo jornal americano The New York Times, várias referências à sua imagem rebelde, cultivada ao longo dos anos. Uma delas dizia que, se seus vinhos causavam uma impressão indelével, sua personalidade duplicava isso. E ia além: "Com seu cabelo longo e desgrenhado, barba pesada e maneira franca, o Sr. Dagueneau poderia ser uma presença int

Manual do Sabor

Trauma de letrinhas miúdas não vale para rótulo de vinhos. Amistosos, eles trazem ótimas, variadas (e até inúteis) informações Ele adianta em palavras as descobertas do paladar e saber decifrá-lo é passo essencial para comprar um vinho. O rótulo, pedaço de papel que envolve o corpo da garrafa, é a primeira interação entre o apreciador e a bebida. Como o vinho, não tem fórmula única e varia de formato, cor, ilustração e conteúdo. Algumas publicações afirmam que os primeiros a utilizar os rótulos foram os franceses, que, no século 18, usavam notas nos gargalos das garrafas presas com barbante e cera. De lá para cá, a transformação foi radical. De acordo com Maitê Marine, sommelière da enoteca In Vino Amici, atualmente as vinícolas dão muita importância aos rótulos, pois perceberam sua influência na escolha do vinho pelo consumidor. "Se houver dúvida entre dois ou mais exemplares, o consumidor certamente escolherá o que tiver o rótulo mais atraente", diz Maitê. "E também o

A arte da descoberta

Milhares de rótulos, produtores, uvas, safras... são tantas as informações que a simples idéia de montar uma adega pode assustar. Mas não se deixe intimidar! Além de aprender muito, você verá que esta pode ser uma prazerosa experiência. Há poucos anos, era comum a idéia de que boas adegas estavam ao alcance apenas de grandes entendedores ou pessoas decididas a investir um bom dinheiro em um espaço especial da casa. Hoje, ter uma adega interessante e coerente não só é viável como também representa uma boa oportunidade para mergulhar no encantador mundo dos vinhos. "Ao montar uma adega, você faz uma verdadeira viagem - tanto de autoconhecimento, observando e respeitando seus gostos pessoais quanto de descoberta das infinitas opções existentes no mercado", diz Everson Luiz, sommelier da importadora Mr. Man. "Quanto mais profundo for o conhecimento de si mesmo, melhores serão as suas escolhas" Há quem diga também que o prazer de compor a própria cave é quase tão intens

Espumantes

BORBULHAS OS ESTILOS ESCONDIDOS EM PALAVRAS MISTERIOSAS Champagne, Prosecco, espumante, brut, doce, suave, demi-sec... Essas palavras, que a princípio parecem ser apenas nomes, escodem - ou revelam - valores e sabores importantes. Geralmente esses termos estão relacionados à região de produção, ao tipo de uva ou ao grau de açúcar da bebida. Mas que informações úteis essas nomenclaturas nos trazem? Tomemos o exemplo de Champagne: o nome da bebida é o da região demarcada. Isso quer dizer que, para tê-lo no rótulo, todas as uvas usadas na produção do célebre espumantes devem ser originárias dali. Mas não é só isso: as uvas em questão só podem ser das três variedades autorizadas: Pinot Noir, Chardonnay e Pinot Meunier. E mais: o vinho deve ser produzido pelo complexo método Champenoise aquele cuja espuma vem da segunda fermentação na própria garrafa. Todos esses fatores imprimem ao vinho as características típicas de Champagne, como os aromas minerais - que vêm do solo específico da região